Perfil

Nossa empresa de criação e restauro de vitrais localiza-se na histórica cidade de Santos – São Paulo. Com aproximadamente 100 imóveis tombados pelo IPHAN e inúmeras igrejas e capelas de inigualável valor artístico e histórico como o Santuário de Santo Antônio do Valongo e o Convento do Carmo.

O Palácio da Bolsa do Café que foi um marco para o desenvolvimento do Brasil no século XIX, possui um dos mais belos vitrais do nosso país. Este vitral projetado por Benedicto Calixto foi um dos primeiros trabalhos de impacto dentro da temática brasileira. Ali está toda a epopéia dos bandeirantes, história, realidade e mitologia misturadas. As cores tropicais, exuberantes, mais rica que o sombrio característico dos vitrais góticos predominam. Pode-se dizer que foi neste momento que o vitral brasileiro adquiriu sua independência, a maioridade, desligou-se do europeu.

Nós somos membros da Association International des Arts Plastiques – UNESCO, e da Academia Latino-Americana de Arte – ALA No ano de 2003 nós realizamos com o Mestre Hamilton Martins o curso de Conservação e Restauro em Cantaria (a arte milenar de talhar pedras brutas transformando-as em material estrutural e ornamental). No mesmo ano, com o Mestre Hermínio F. Silva Neto aprendemos as técnicas de Conservação, Transformação e Restauro em Ferraria (transformação, conservação e restauro de metais brutos em formas, elementos artísticos e estruturais). Ambos formados pelo Centro Europeu de Veneza – Itália – para os Ofícios da Conservação do Patrimônio Arquitetônico e pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


História

Os vitrais eram comuns no Oriente nos séculos VI e VII da era cristã. Os segredos desta arte chegaram ao ocidente através do mediterrâneo. Documentos comprovam que, um século mais tarde  foram desenvolvidas  entre sírios e egípcios, duas técnicas avançadas  empregadas no fechamento de vãos dos palácios, residências nobres e mesquitas. Uma era denominada Kamariya, a outra era a Chamisiya.

Os primeiros vitrais conservados datam do período carolíngio, não tendo relação com a arquitetura, mas com as artes  eruditas e, mais concretamente com a auriversaria. O vitral mais antigo até hoje descoberto encontra-se no cemitério francês de Séry-Lès- Mézieres, sendo considerado como parte integrante de um relicário. É formado por diversas peças de vidro, todas elas unidas com chumbo, que representam uma cruz com adornos frontais nos lados e as letras alfa e ômega flanqueando-a.

Nas escavações realizadas em 1932, na abadia de Lorsch, no estado de Hesse, na Alemanha, encontrou-se um pequeno vitral muito fragmentado, no qual aparece a cabeça de cristo, que se julga ser de finais do século IX ou principio do século X. Outra cabeça de cristo, do século IX, procedente da igreja abacial de Wissembourg, na Alsacia, constitui a imagem mais antiga de cristo conservada intacta.

O grande desenvolvimento desta arte, cujo antecedente mais próximo do ponto de vista técnico é o mosaico, iniciou-se com o aparecimento do cristianismo e evoluiu sobre tudo durante os períodos românicos e góticos.  Os vitrais foram amplamente utilizados na ornamentação de igrejas e catedrais, uma vez que o efeito da luz do Sol que por eles penetravam, conferia uma maior imponência e espiritualidade ao ambiente, efeito reforçado pelas imagens retratadas, em sua maioria cenas religiosas.

Adicionalmente, serviam como recurso didático para a instrução do catolicismo a uma população inculta e analfabeta.

Nos séculos XIX e XX, após um longo período de decadência voltou a emergir com força, constituindo atualmente uma das artes mais vivas e renovadoras do panorama artístico.

Há tempos deixou de ser uma arte exclusivamente religiosa. Hoje o  vitral é parte integrante da arquitetura residencial e corporativa.

Há várias técnicas para a produção de vitrais que são a Tifanny, Fusing, Overlay, Gravação à ácidos e jatos de areia e a Tradicional que utiliza o perfil de chumbo como elo de ligação entre um vidro e outro. Na técnica tradicional, utiliza-se um pigmento denominado grisaille que nada mais é do que uma tinta para pintar rostos, mãos, pés, paisagens, mantos, cenas   nos vidros recortados. Na sua fórmula entram componentes como o nitrato de prata, goma arábica, óleo de cravo e componentes mais ou menos secretos ou exóticos, como o vinho ou mesmo a urina. Estes pigmentos são levados a um forno específico  em temperatura muito elevada  , fazendo –o fundir-se ao vidro.

 

Restauração

O restaurador de vitrais deve ter não só uma ampla experiência técnica, como também possuir profundos conhecimentos artísticos da história do vitral. Ele tem que estar apto para interpretar e a inferir o estilo da época e o autor da peca que pretende restaurar.

Na história do restauro, houve várias tendências ou maneiras de entender esse ofício tão nobre. Fundamentalmente existem 3 correntes. A primeira, preconizada no século XIX pelo arquiteto francês Viollet-le-Duc, mantém o estilo de obra que é objeto de restauro, a tal ponto que pode acabar por desembocar numa falsificaçao ou manipulação absoluta de toda peça. A segunda, defendida também do século XIX pelos artistas e intelectuais românticos, encabeçada por Ruskin, considera que a deterioração e a degradação proporcionam a obra de arte um valor estético e artístico que deve ser mantido e respeitado. A terceira corrente, aprovada por Luca Beltrami, desfruta de uma maior vigência e baseia-se no estudo dos documentos, na análise em profundidade da obra que se pretende restaurar e no respeito pela parte conservada, assim como pelos critérios artísticos e estéticos do seu autor. Convém salientar que um restauro tem sempre que ser reversível, isto é, pode ser submetido a revisões e, se necessário, caso os últimos estudos e avanços tecnológicos assim o exigirem, as modificações.

 

Cristais e Vidros

O principal componente do vidro é a Sílica (SiO2). A mistura de Sílica (areia) com Carbonato de Sódio, Cálcio e Magnésio no forno de fusão com temperatura de até 1.700ºC , a consistência da massa vítrea é igual a de um caramelo.

Cada vidro deriva a sua cor de impurezas que estavam presentes quando o vidro foi formado.   Por exemplo, “garrafa de vidro negro” era um vidro escuro, marrom ou verde, produzido pela primeira vez no século 17 na Inglaterra.  Este vidro era escuro, em razão dos efeitos das impurezas de ferro na areia usado para fazer o vidro e o enxofre da fumaça do carvão em brasa usados para derreter o vidro no passado.

Além de impurezas naturais, o vidro é colorido ao se injetar minerais ou sais de metal purificado (pigmentos) no processo de fabricação. Temos como exemplo o vidro rubi (inventado em 1679, utilizando cloreto de ouro) e vidro de urânio (inventada na década de 1830, o vidro que brilha no escuro, que utiliza óxido de urânio).

Cristal é um vidro de alta qualidade, transparência e densidade, obtido através da adição à massa vítrea (durante a fabricação) de vários sais metálicos e em especial, neste caso, o óxido de chumbo. Apesar de receber o nome comercial de “cristal” tal material é amorfo, não possui qualquer estrutura cristalina, não sendo, portanto, um verdadeiro cristal, na acepção técnica do termo. Geralmente quando o teor de chumbo é maior que 10% tais vidros ganham a denominação comercial de “cristal”. Quando o teor de óxido de chumbo fica abaixo de 10%  na composição da massa vítrea, comercialmente este produto é denominado “vidro”. Os teores de óxido de chumbo podem chegar até a 25%.

Nestes “cristais – vidros” a grande transparência, brilho e dispersão da luz incidente, resultam da pureza da massa vítrea e do polimento da peça. A adição de óxido de chumbo e outros materiais conferem uma elevada densidade, dureza e rigidez, o que proporciona o típico retinir no brinde com taças.

As peças e obras de arte de “cristal-vidro” são tradicionalmente moldadas por sopro e trabalhadas (esmerilhadas e polidas) a mão por especialistas, o que eleva seus preços quando comparados com outros trabalhos em vidro.

O mercado nacional produz hoje somente 4 cores de vidros coloridos para vitral, mas, o mercado internacional supre a demanda com vidros importados e mais de 800 cores e tons disponíveis.


VIDRO IMPRESSO.

É obtido por meio de um derrame contínuo da massa vítrea em uma prancha metálica. Com rolos, também metálicos, aplica-se gravações em sua superfície com variadas texturas. Os vidros nacionais texturizados como Astral, Redeau, Canelado, Pontilhado, Antílope, Miniboreal, são incolores, mas, o Ártico pode ser encontrado nas cores azul, amarelo alaranjado, vinho e verde.

VIDRO SOPRADO.

O vidros soprado é utilizado exclusivamente para confeccionar vitrais. Ele é fabricado da mesma maneira com que era feito na época gótica, soprando a massa vítrea com uma cana até se obter um cilindro de vidro. É conhecido como vidro antique por apresentar pequenas bolhas e micro bolhas de ar em seu interior, oriundas da expiração do” maitre verrier”.

A espessura da chapa de vidro oscila entre 2 e 6mm. Como disse Lorenz Heilmair, antigo mestre vitralista brasileiro de origem alemã: “Não há e nunca poderá haver, equipamento que substitua um bom soprador de vidro, e um bom soprador de vidro surge depois de anos de prática”.

VIDRO OPALESCENTE.

O vidro opalescente é fabricado com o mesmo processo do vidro impresso, porém, na massa vítrea são acrescentadas algumas substâncias químicas que fazem com que o produto final impeça que haja visibilidade de um ambiente para outro, mas, não impedem a pequena passagem da luz. A opalescência deve-se ao denominado Efeito Tyndall, que consiste na dispersão da luz através de pequenas partículas de matéria dispostas em sua trajetória, no interior do vidro, formando uma nuvem visível. O fenômeno é exatamente o mesmo que se observa quando um raio de luz ilumina as partículas de pó dispersas na atmosfera de uma habitação.

VIDRO VERTIDO.

É obtido a partir do derrame de uma massa vítrea sobre um molde de superfície pequena e profundidade de 25 à 30 mm. Obten-se aí uma placa de vidro colorido na massa nas dimensões de 150 x 150 mm e espessura de 25 à 30 mm. Estas placas são utilizadas para construir vitrais com a técnica “Dalle de verre”. Esta técnica foi desenvolvida por Jean Gaudin em Paris na década de 1930. As bordas das placas podem ser lascadas ou facetas para aumentar os efeitos de refração e reflexão.

VIDRO BARROCO.

O Vidro Barroco é importado e sua beleza é proveniente da adição de uma massa colorida durante o processo de derrame na fabricação deste belíssimo vidro. No exato momento em que o vidro incandescente é colocado em uma superfície e espalhado para tomar forma de chapa, a massa na cor desejada é acrescentada manualmente, portanto, cada chapa do Barroco é única, o que a torna um produto bastante exclusivo.

VIDRO CATEDRAL.

A fabricação deste vidro é próximo do industrial. Ele é colorido na massa e seu processo é semelhante ao industrial. Uma composição vítrea e líquida em alta temperatura é derramada sobre uma superfície, onde rolos metálicos imprimem uma textura que se assemelha a pequenas gotas em baixo relevo, com espessura variando de 3 a 4 mm. Este vidro tem um colorido transparente, mas, é impossível distinguir os objetos que estão do lado contrário de quem os olha. O vidro catedral foi largamente utilizado para a construção de vitrais para as grandes Catedrais na Idade Média, daí o seu nome.

VIDRO GIVRÈ.

A fabricação deste vidro é completamente artesanal. A adição de produtos químicos na superfície de uma chapa de vidro incolor liso e tratada, faz com que reações de corrosão acorram, “removendo” parte da porção superficial desta chapa, criando desenhos semelhantes a cristais de gelo de padrão não uniforme.

Visitas técnicas

No ano de 2003 nós realizamos visitas técnicas à vários países. Conhecemos ateliês e studios na Alemanha, França, Áustria e Suíça onde podemos experimentar várias técnicas na área de criação e restauro de obras.

O studio Derix Glass, em Taunusstein – Alemanha possui perto de 150 anos de atividade intensa na área do vitralismo. A criação de obras contemporâneas é a sua especialidade. Por lá já passaram artistas de várias partes do mundo. Na França, conhecemos grandes artistas de renome na área do vitralismo. Entre eles, o “maître verrier” Pierre Millous que realizou inúmeras obras na França e Estados Unidos. Este mestre foi responsável pela restauração de parte dos fabulosos vitrais medievais da famosa Catedral de Chartres, na França, considerados os mais belos de todo mundo. Em seu atelier, nós podemos desenvolver, aprimorar e aprender outras técnicas de criação e restauro como a técnica em “Dalle de Verre” onde o vitral pode ser criado à partir de vidros com 25 a 30 mm de espessura.

Nós visitamos vários museus e Centros Internacionais de Vitrais.

Centre International du Vitrail – Chartres – França

Le Musée Suisse du Vitrail – Romont – Suíça

Musée de Lóeuvre de Notre Dame – Augsburg – França
Este museu possui o mais antigo vitral figurativo do mundo (século IX), a celebre Cabeça de Cristo.

Studio Derix Glass, em Taunusstein – Alemanha

Exposições

XV Santos Arquidecor – Santos – São Paulo

Exposição no Memorial da América Latina – São Paulo

Exposição em comemoração aos 100 anos de Punta del Este – Uruguai

Exposição no Jóquei Clube de São Paulo

Publicações

Em comemoração aos 50 anos da revista O Vidroplano – a maior e mais completa publicação do setor vidreiro no Brasil – a Andiv editou especialmente este fascículo. Nós da Vicentini Vazquez, participamos desta festa. Veja a reportagem de nosso ateliê na edição de 50 anos da revista O Vidroplano

Em uma publicação do Jornal da Orla, nosso ateliê aparece em destaque na criação e restauro de vitrais. Na área de arquitetura e decoração, o jornal fala sobre o crescimento na utilização do vidro como solução na composição de ambientes residenciais e corporativos.

Matéria publicada em janeiro de 2015 na edição 161 do jornal Presença Diocesana